Blog do Dr. Libanori


Cigarros aromatizados

Cigarros aromatizados - seu filho ainda vai fumar um...

 

Cigarro com sabor

 

 

 


 

 

 

 

 

 

Recentemente publiquei neste blog artigo sobre o narguilé e a estratégia da indústria de tabaco de angariar adolescentes como novos usuários. Essências especiais e o mecanismo do narguilé tornam a fumaça do tabaco mais facilmente tragável e mais “amigável” para os neófitos, principalmente crianças e adolescentes. Com isso, vai se tornando o hábito de fumar numa atividade agradável e de união de amigos, já que as sessões de narguilé são grupais. No entanto, como trazer esse novo usuário e novo adito em potencial para o mundo do cigarro? Afinal o cigarro é o meio mais eficaz e rentável de entrega rápida de nicotina e a principal forma de manutenção do vício.

A solução foi genial. Cigarros aromatizados. Traga a suavidade e o saborzinho do narguile para cigarros e os adolescentes virão atrás. Dessa forma os adolescentes poderão se iniciar realmente no tabagismo, sem ter que montar aquela parafernália do narguilé. Quando menos esperarem, estarão comprando cigarros comuns, já que a essência se tornará desnecessária. A partir desse ponto, pode ser até Continental sem filtro (pra quem se lembra do mais famoso estoura peito).

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, luta pela proibição desses cigarros aromatizados, ciente que seu propósito é levar o tabagismo a crianças e adolescentes. No entanto, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Fumo luta contra a proibição, é claro. Em países como EUA e Canadá esses cigarros já são proibidos.

É bom lembrar que cigarros mentolados viciam mais rápido:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u492588.shtml

Veja a proposta da ANVISA:

http://portal.anvisa.gov.br/wps/portal/anvisa/imprensa/!ut/p/c4/04_SB8K8xLLM9MSSzPy8xBz9CP0os3hnd0cPE3MfAwMDMydnA093Uz8z00B_A3dLE_2CbEdFAJSoWeQ!/?WCM_PORTLET=PC_7_CGAH47L0006BC0IG5N65QO0OM4_WCM&WCM_GLOBAL_CONTEXT=/wps/wcm/connect/anvisa/anvisa/sala+de+imprensa/noticias/proposta+da+anvisa+quer+proibir+aromatizantes+em+produtos+derivados+do+tabaco

Veja artigo recentemente publicado no Read Psiquiatria e posicione-se:

 http://www.readpsiquiatria.com.br/anvisa-e-camara-do-fumo-travam-guerra-sobre-proibicao-de-cigarros-aromatizados.html

 

 

 



Escrito por Dr. Libanori às 14h58
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Pesquisa aponta que três em cada dez estudantes brasileiros bebem até cair

Publicado em http://www.readpsiquiatria.com.br/

Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo detectou um comportamento preocupante entre os jovens brasileiros. Três em cada dez estudantes ouvidos admitiram que “bebem até cair”, segundo levantamento do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas da Unifesp, com mais de cinco mil alunos.

Em geral, o comportamento começa aos 12 anos e se estende para a vida adulta. A pesquisa apontou ainda que quanto mais cara é a mensalidade do colégio onde o jovem estuda, o risco de abuso da bebida dobra. A falta de conversa com a família é determinante em 60% dos casos.

Beber ate cair foi uma expressão ouvida por mais de 30% dos jovens entrevistados. Eles confirmaram a prática do binge, que é o consumo de cinco copos de cerveja ou outra bebida alcoólica pelo menos uma vez por semana. Um comportamento de risco que deixa o jovem vulnerável a brigas, acidentes de transito, sexo sem proteção e ao consumo de outras drogas.

O primeiro contato é em casa para quase metade dos jovens. Por isso a conscientização tem vir do lugar onde moram.

Na comunidade de Heliópolis, a maior favela de São Paulo, um grupo de jovens com idades entre 14 e 20 anos participa de uma associação chamada Alconscientes. O grupo tem a missão de multiplicar o que aprendeu em toda a comunidade.

Fonte: band.com.br



Escrito por Dr. Libanori às 14h08
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Cirurgia bariátrica útil em crianças e adolescentes.

 

Revisão sistemática sobre o tema foi publicada na revista Clinical Obesity online no dia 3 deste mês. “A epidemia de obesidade atualmente afeta tanto crianças quanto adultos, assim como suas doenças associadas”, argumentou a autora principal Andrea Aikenhead, da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade em Londres. “Estabelecer métodos efetivos de tratamento da obesidade grave em crianças irá não somente reduzir a prevalência da obesidade infantil e o comprometimento da saúde, mas inibir a progressão de crianças obesas em adultos obesos, um passo crucial no combate da epidemia”. Os 37 estudos envolveram 831 crianças e adolescentes. “Apesar de se serem estudos retrospectivos, de baixo poder, há evidências que a cirurgia bariátrica em crianças mais velhas resulta em perda de peso significativa e melhoras nas doenças associadas e qualidade de vida”.

Em minha experiência pessoal, apesar de poucas crianças ou adolescentes operados, fica claro que o emagrecimento conseguido com a cirurgia bariátrica nessa faixa etária é mais impactante na vida do paciente que nos adultos. O futuro de uma criança obesa mórbida não está comprometido somente pelas doenças associadas como diabetes e hipertensão. O prejuízo psicológico é incontestavelmente mais grave nessa população. Uma criança que não consegue brincar como as outras, frequentemente passa a ser vítima de “bulling”, até que não consegue nem mesmo sentar nas carteiras em sua sala de aula, por não caber mais. Em casos extremos essas crianças chegam a abandonar os estudos. O futuro dessa criança é sombrio. Temos visto crianças e adolescentes nessa situação extrema retomarem suas vidas e mudarem suas trajetórias. Poucos meses depois, já estão novamente integrados. Poucos anos depois, não será possível diferenciá-los da população geral. Pode-se dizer que são resgatados e que realmente seu futuro é mudado, para melhor.

É claro que existem riscos, assim como é certo que as complicações cirúrgicas são menos frequentes em adolescentes. O problema é que adolescentes tem pouco tempo para retomarem suas vidas. A demora no tratamento trará prejuízo irreversível, de forma mais grave que nos adultos. Por todos esses motivos, o acompanhamento psicológico e apoio da família são fundamentais. Por outro lado, são os casos em que a equipe multidisciplinar se sente mais recompensada.



Escrito por Dr. Libanori às 09h54
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Obesidade ligada à maior risco de câncer do aparelho digestivo.

Obesidade ligada à maior risco de câncer do aparelho digestivo.

 

Além do câncer de mama e endométrio em mulheres e próstata em homens entre outros, a obesidade e, mais especificamente, a síndrome metabólica está relacionada a tumores do aparelho digestivo como esôfago, cólon, fígado e pâncreas.

No caso do esôfago, a maior presença de doença do refluxo gastresofágico e a substituição de mucosa esofágica por mucosa gástrica na parte final do esôfago (esôfago de Barret) pode explicar a maior incidência de adenocarcinoma de esôfago.

Quanto ao cólon, são discutidos fatores como dieta rica em gordura e o estado inflamatório decorrente de aumento de hormônios como insulina e IGF (insulin-like growth factor), assim como adipocinas como a leptina. O resultdo é a maior formação de pólipos no intestino grosso e posterior degeneração em tumores malignos. Também alterações da flora intestinal ligadas à obesidade estão sendo relacionadas à formação de tumores.

Os mesmos hormônios citados acima, elevados na obesidade e síndrome metabólica, resultam em aumento do teor de gordura no fígado, levando inicialmente à esteatose hepática e posteriormente à esteatohepatite não alcoólica, que é o acúmulo de gordura no fígado associado a inflamação. Esta pode evoluir para fibrose e cirrose hepática. Esse estado inflamatório crônico também aumenta a ocorrência a câncer de fígado. Frequentemente encontramos acúmulo de ferro no fígado resultante da obesidade. Esse fenômeno é muito agravado em pacientes com características hemocromatose familiar. Essa condição também aumenta muito a chance de câncer. Os mesmos mecanismos estão implicados no câncer de pâncreas no obeso.

Alguns estudos têm demonstrado a queda no risco de câncer em obesos que emagrecem, principalmente aqueles submetidos a cirurgia bariátrica. Portanto, o risco de câncer certamente está relacionado ao tempo de exposição à obesidade. Quanto antes o paciente for tratado, menor sua chance em desenvolver tumores malignos. Podemos traçar um paralelo com os pacientes tabagistas. O risco de câncer aumenta com o grau e o tempo de exposição ao fumo.

Interessante revisão sobre o tema foi publicada na revista NATURE REVIEWS – GASTROENTEROLOGY & HEPATOLOGY.

http://www.nature.com/nrgastro/journal/vaop/ncurrent/full/nrgastro.2011.23.html



Escrito por Dr. Libanori às 09h27
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Derivação gástrica superior a cirurgias restritivas na proteção contra diabetes e infarto.

 

Publicado esta semana no British Journal of Surgery mais um artigo relacionado ao SOS (Swedish Obesity Subjects), estudo sueco sobre pacientes submetidos a cirurgia bariátrica entre 1980 e 2006, comparando seus registros médicos com a população geral, num país onde a medicina socializada permite uniformidade de tratamento e seguimento de praticamente 100% dos pacientes.

Desta vez, foram comparados 13.273 pacientes operados nesse período com os resultados da população geral quanto a risco de infarto do miocárdio, angina pectoris, AVC, hipertensão, diabetes e morte. No geral, os pacientes operados mantiveram risco mais elevado que a população geral para esses itens.

No entanto, dois terços desses pacientes foram submetidos a cirurgias puramente restritivas como bandagem gástrica ajustável e gastroplastia vertical com bandagem. Quando foram considerados apenas os 4.161 pacientes submetidos à derivação gástrica em Y de Roux, estes passaram a ter o mesmo risco da população geral quanto a diabetes e infarto do miocárdio, ou seja, saíram do grupo de risco para essas afecções.

Esse estudo, pela peculiaridade do sistema de saúde sueco e sua metodologia, terá grande impacto na comunidade cirúrgica e clínica voltada ao tratamento da obesidade. A derivação gástrica em Y de Roux propicia não somente perda ponderal, mas benefícios metabólicos inerentes à técnica, trazendo os riscos de infarto e diabetes para os níveis da população geral. Portanto, devemos tomar cuidado ao indicar operações puramente restritivas, e nessas incluímos a gastrectomia vertical, que talvez não tragam os mesmos benefícios a longo prazo.

A íntegra do estudo está na página do BJS: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/bjs.7416/abstract;jsessionid=ECF880CDD95BB5718A6A2FB1CF763612.d02t03



Escrito por Dr. Libanori às 10h19
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Falta de lazer próximo à moradia é relacionado a hábitos sedentários entre crianças.

 

O que já se suspeitava foi conprovado. Estudo australiano demonstrou que crianças que moram longe de parques ou locais públicos de lazer ao ar livre passam mais horas junto ao computador, televisão e videogames.

Se isso acontece num país de primeiro mundo, onde há fartura de parques e opções de lazer ao ar livre, imagine o que ocorre nas nossas grandes cidades. Aqui, além do adensamento populacional que acabou com várias opções de lazer como os antigos campos de várzea, a insegurança prende nossas crianças dentro de casa. Atividades esportivas passam a se desconectar do lazer e tomam a forma de “aulas” ou “treinamento” de algum esporte. As crianças não relaxam mais brincando ao ar livre, infelizmente.

O mais preocupante é que a obesidade infantil aumenta em índices epidêmicos. Podemos projetar, para o futuro próximo, aumento ainda maior da obesidade na população como um todo. Somente os gastos que aumentarão inexoravelmente com a saúde pública justificam desde já o investimento em urbanização, segurança e mais opções de lazer. A obesidade tornou-se uma doença das camadas menos favorecidas de nossa população, entre outros motivos, pelas condições de moradia e possibilidade de lazer ao ar livre.

Veja abaixo o resumo da pesquisa:

Falta de planejamento do parque associado com crianças que passam mais tempo em computadores e videogames.

22. February 2011 04:37

O que é necessário para manter as crianças ativas quando chegam em casa da escola? Parece que o que o bairro oferece em termos de parques e playgrounds tem muito a ver com isso. Em um estudo que examina as relações entre a qualidade dos espaços públicos ao ar livre, a percepção dos pais delas, e o comportamento das crianças sedentárias, Dr. Jenny Veitch e colegas, do Centro de Atividade Física e Nutrição de Investigação da Universidade Deakin, na Austrália, mostram que características da vizinhança influenciam ou não as crianças a assistir menos televisão e jogar menos jogos de computador depois da escola. O trabalho do Dr. Veitch foi publicado na revista Annals of Behavioral Medicine.

O aumento da prevalência da obesidade infantil é um grave problema de saúde pública e o tempo gasto em comportamentos sedentários contribui muito para isso. Em 2004, os pais de 171 crianças de nove anos completaram um questionário sobre suas percepções do ambiente de vizinhança física e social. Em 2004 e 2006, os pesquisadores perguntaram aos pais sobre o tempo gasto por seus filhos assistindo televisão, usando o computador e jogos eletrônicos. Em paralelo, os autores realizaram uma auditoria dos espaços públicos ao ar livre próximos e mediram objetivamente o quão sedentários eram as crianças fora do horário escolar.

Veitch e os colegas notaram que o tempo gasto em comportamentos sedentários aumentou significativamente entre 2004 e 2006, espelhado por um aumento no tempo gasto usando computadores e jogos eletrônicos (mas não assistindo à televisão).

Quanto mais satisfeitos os pais estavam com a qualidade dos parques e playgrounds dos seus bairros, menos tempo era gasto pelos filhos com computadores e jogos eletrônicos. Além disso, quanto mais satisfeitos os pais estavam em 2004, menos seus filhos assistiram televisão em 2006.

Avaliações objetivas do ambiente físico também foram ligados ao tempo gasto em comportamentos sedentários pelas crianças. Especificamente, as crianças que moravam perto de um espaço público grande e aberto, com recursos de água, ou viviam em uma rua sem saída, gastaram menos tempo na frente de uma tela em casa, enquanto aqueles cuja casa estava a uma longa caminhada do parque mais próximo passaram mais tempo usando computadores e jogos eletrônicos.

Os autores concluem: "Nossos resultados sugerem que algumas características da vizinhança estão relacionadas ao tempo que as crianças gastam assistindo TV, usando computadores e videogames fora do horário escolar. A grande distância entre a moradia e os parques está associada a mais tempo usando computadores e videogames nesta faixa etária. Isto mostra a complexidade de criar comunidades para atender as necessidades dos moradores em todo o curso de vida. "

Estudo: Anais da Medicina Comportamental



Escrito por Dr. Libanori às 11h02
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Interessante artigo sobre Cirurgia Bariátrica publicado na revista Veja.
Cirurgia de redução de estômago cresce junto com peso do brasileiro

Avanço da obesidade na população e difusão da técnica fazem número de operações crescer 275% em sete anos. Um projeto equivocado da Anvisa de banir remédios emagrecedores pode engordar ainda mais a estatística

Por Natalia Cuminale

 

Guerra contra obesidade: em 2010 foram feitas 60.000 cirurgias bariátricas (Thinkstock)

Alessandra Pereira de Souza luta contra a obesidade desde os dez anos. Já são 27 anos de batalha. Ao longo da vida, aderiu a todos os tipos conhecidos de dietas (e também aos menos famosos), práticas físicas regulares e uso de remédios emagrecedores. A tática surtiu efeito, mas só por breves períodos. Agora, ela se prepara para uma cirurgia bariátrica. Com 121 quilos e um índice de massa corporal (IMC) igual a 41, que indica obesidade mórbida, ela decidiu apostar na mudança via redução do estômago. "Antes, eu encarava a operação como último recurso, adotado apenas por quem já está tão gordo que não consegue se locomover. Estava enganada." A cirurgia bariátrica é, de fato, uma arma cada vez mais comum na guerra contra a obesidade. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) mostram que foram realizadas 60.000 operações no país no ano passado — alta de 275% em relação a 2003, ano em que foram coletados os primeiros registros, e de 33% em relação a 2009. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mesmo com filas de espera de até oito anos, o número de cirurgias cresceu 23,7% entre 2007 e 2009, chegando a 3.681 ocorrências. Os números fazem do Brasil o segundo colocado no ranking de cirurgias bariátricas, atrás apenas dos Estados Unidos, com 300.000 procedimentos em 2010.

Entenda os quatro métodos mais comuns de operação de redução de estômago

Confira números da cirurgia bariátrica no Brasil & pré-requisitos para pacientes

 

Vários fatores impulsionaram o Brasil para o segundo lugar. Para começar, o perfil da população brasileira, cada vez mais obesa. Outra razão é a difusão de informações sobre o procedimento entre pacientes e médicos, e também a maior especialização destes para a operação delicada. A cirurgia bariátrica pode ainda ganhar um fôlego extra — e esse não é bem-vindo. Como mostra reportagem especial de VEJA desta semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estuda banir do mercado brasileiro a venda de remédios para emagrecimento que atuam no sistema nervoso central, os anorexígenos sibutramina, femproporex, dietilpropirona e mazindol. A alegação é que os riscos de complicações cardíacas provenientes do uso desses medicamentos superam seus benefícios.

Os médicos admitem que esses remédios embutem riscos — como qualquer medicamento, aliás. Mas alegam que, ao optar pela proibição, a Anvisa confunde efeitos colaterais com contraindicações específicas a determinados grupos de pacientes. Ou seja: é possível controlar os riscos a partir do acompanhamento do histórico e da evolução dos pacientes. O vício da agência reguladora é querer decidir pelos pacientes o que é melhor ou pior para eles. Uma coisa é um ente público impor uma restrição ao indivíduo para preservar a saúde da coletividade, caso das leis que proíbem o fumo em lugares públicos. Outra coisa bem diferente é impedir o acesso a um medicamento cujos eventuais efeitos nocivos podem ser controlados por um bom médico. Se a proibição se confirmar, é provável que mais pessoas procurem o emagrecimento via cirurgia.

O fato incontornável é que o Brasil precisará aprender a lidar com a obesidade — e também com a cirurgia bariátrica. Segundo o Ministério da Saúde, a parcela da população cujo IMC é igual ou superior a 30 — consideradas obesas — passou de 11,4% para 13,9% em apenas três anos, entre 2006 e 2009. E a tendência é aumentar. Estima-se ainda que 4 milhões de brasileiros tenham atingido o estágio de obesidade mórbida, quando o IMC chega a 40. "Há uma cobrança crescente da sociedade em relação ao controle de peso, o que faz com que as pessoas busquem cada vez mais a cirurgia", diz Elias Hanna, endocrinologista da Sociedade Brasileria de Endocrinologia e Metabologia. "Some-se a isso o fato de que a indústria farmacêutica não apresentou nenhum grande lançamento no combate à obesidade nos últimos anos. Ou seja, não houve avanço no tratamento clínico da doença."

Arte VEJA

 

A cirurgia ganha força também por seus próprios méritos. Quando chegou ao país, em 1995, realizado por hospitais particulares, o procedimento que separa parte do estômago e altera o funcionamento do intestino não parecia muito seguro aos olhos dos possíveis pacientes. Mas a técnica evoluiu e o risco de mortalidade diminuiu, chegando a 0,2% — similar ao de uma corriqueira cirurgia de vesícula e muito inferior ao registrado pelos procedimentos de ponte de safena, com 8%. Além disso, desde 1998, é possível realizar a cirurgia pelo método de videolaparoscopia, técnica menos invasiva que reduz as chances de complicação pós-operatória, as cicatrizes e também o tempo de recuperação. "Com a difusão da cirurgia e das informações relacionadas a ela, médicos passaram a encaminhar mais pacientes para o procedimento. Antes, as pessoas não entediam que obesidade é uma doença", diz Ricardo Cohen, presidente da SBCBM.

Os médicos, é claro, também são responsáveis pelo salto. Com 400 membros titulares, a SBCBM recebe cerca de 50 novos sócios por ano – enquanto a Sociedade Mexicana, por exemplo, registra anualmente apenas nove adesões. "O Brasil está se destacando nessa área, propondo técnicas inovadoras. Os hospitais estão se adequando e criando centros de excelência", explica Marcio Mancini, presidente do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).  

Bloqueio à vida — Os obesos submetidos à cirurgia bariátrica colhem aos poucos os benefícios do procedimento. Nos primeiros seis meses, perdem entre 30% e 50% do excesso de peso — o restante é eliminado gradativamente em dois anos. Na maioria dos casos, problemas como apneia do sono, diabetes tipo 2, problemas cardíacos e locomotores desaparecem. O risco de morte por câncer cai 60% e por problema coronário, 56%. Alterações hormonais que comprometem a fertilidade da mulher podem ser reduzidas. Por conta de todos esses fatores, a disposição dos operados melhora, as limitações diminuem e a qualidade de vida, é claro, é incrementada. Por último, mas não menos importante: em 89% dos casos, a expectativa de vida sobe. "É como se, antes, a obesidade bloqueasse a vida dessas pessoas", diz o cirurgião Roberto Rizzi.

rte VEJA

 

Para derrubar as barreiras, é preciso total aplicação por parte paciente, que precisa seguir a receita básica de dieta balanceada e a prática regular de exercícios físicos. Os primeiros trinta dias após a cirurgia são os mais difíceis. Nesse período, deve-se adotar exclusivamente uma dieta líquida. A alimentação começa a se normalizar por volta dos três meses. Como o volume do estômago é reduzido pela cirurgia, é preciso comer menos, mastigar mais e aumentar a frequência das refeições. Antes, durante e depois da cirurgia, o paciente é acompanhado por uma equipe multiprofissional formada por psicólogo, nutricionista, endocrinologista, fisioterapeuta e cirurgião plástico. Os especialistas enfatizam a importância do apoio de um familiar, especialmente nos primeiros dias de recuperação. Pesquisas indicam que cerca de 10% dos pacientes submetidos à cirurgia podem ter perda insatisfatória de peso ou recuperar a maior parte do que foi perdido. "Se uma pessoa começa a desenvolver hábitos inadequados, como comer amendoim japonês o dia inteiro, pode recuperar todo o peso", diz Mancini.

Os frutos do procedimento, contudo, não devem esconder as reações adversas. Um eventual problema decorrente de variantes da cirurgia é a síndrome de Dumping, que ocorre quando um alimento não é bem digerido pelo organismo, provando náuseas e cólicas. Outro possível efeito é a má absorção de nutrientes e consequente anemia e desnutrição. "É necessária, então, a suplementação de vitaminas e minerais por tempo indeterminado", explica Thiago Sacchetto de Andrade, nutricionista do grupo de obesidade do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo. Estudos científicos sugerem ainda que paciente que passam pelo procedimento têm mais chances de cometer suicídio, desenvolver depressão e dependência alcoólica. "O operado pode sofrer alterações de humor e buscar outros objetos que substituam a sensação de prazer que a comida trazia", diz Gisele Lins Prado, psicóloga e psicanalista do Einstein.

 

O caminho da cirurgia bariátrica no país é sem dúvida promissor. Mas é preciso zelo para que não haja desvios. Por exemplo, a cirurgia não pode ser banalizada, indicada sem rigor ou para fins estéticos. "Tenho pacientes com sobrepeso que querem passar pela operaração, mas sem necessidade", diz Cohen. O SUS e os planos de saúde seguem com rigor as exigências que definem quem está apto a ser submetido ao procedimento - confira os pré-requisitos no quadro abaixo. O problema residiria em procedimentos particulares, combinados diretamente entre paciente e médico. "Às vezes, um paciente que não se encaixa nos critérios pede para fazer a cirurgia. Vale lembrar que o médico que aceita realizar a cirurgia nessas condições se expõe a sanções mais tarde", diz Arthur Garrido, cirurgião e membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). O respeito às regras da operação de redução de estômago é fundamental para o sucesso do procedimento. Do contrário, a cirurgia, criada para melhorar a qualidade de vida, pode se tornar mais uma inimiga dos obesos.



Escrito por Dr. Libanori às 11h18
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37% dos jovens fumantes de SP usam o narguilé

 

 

Quase todos os que usam o fumo árabe também fumam cigarro de cravo

Um estudo realizado em 2010 pelo governo de São Paulo com 932 fumantes da cidade de São Paulo revelou que 37% dos entrevistados eram usuários de narguilé, um cachimbo de água de origem árabe usado para fumar.

O levantamento da Secretaria de Saúde mostrou ainda que, entre os usuários de narguilé, 96% eram adeptos do cigarro de cravo. A média de idade dos participantes do estudo era de 25 anos.

Além disso, segundo o estudo, metade dos entrevistados apresentou níveis preocupantes da presença de carbono no ar expirado: uma média de 2,3 vezes a mais do que o máximo aceitável.

Segundo Stella Martins, diretora do Programa de Atenção ao Tabagista do Cratod (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas), a indústria do tabaco tem atraído cada vez mais os jovens. O narguilé é usado em muitos lugares com aromas artificiais.

- A indústria revestiu com cheiro e gosto o consumo do tabaco para atrair um público cada vez mais jovem e, assim, substituir o grupo mais velho que está sofrendo com os males do fumo.

O narguilé é composto por nicotina, alcatrão e monóxido de carbono. Ao ser queimado, libera metais pesados e cancerígenos, como o arsênico, chumbo, cobalto e cromo. De acordo com a diretora do Cratod, uma única rodada de fumo equivale ao consumo de cem cigarros.

- Infelizmente é um hábito que carrega um forte cunho de socialização, pois ninguém o fuma sozinho.

A fumaça do narguilé aspirada pelo usuário é composta por cem vezes mais alcatrão, quatro vezes mais nicotina e 11 vezes mais monóxido de carbono do que um cigarro normal. Já o cigarro de cravo possui três vezes mais nicotina e monóxido de carbono.

Tanto o narguilé quanto o cigarro de cravo são enquadrados dentro da lei antifumo que proíbe o consumo em ambientes fechado e de uso coletivo. Desde 2009, é proibida a venda do aparelho utilizado no consumo do narguilé para menores de 18 anos em todo o Estado de São Paulo



Escrito por Dr. Libanori às 13h37
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Cirurgia da obesidade diminui à metade o risco de pacientes obesos morrerem num período de 7 a 8 anos

 

Pesquisadores italianos realizaram uma revisão sistemática da literatura e demonstraram que pacientes submetidos à cirurgia de obesidade diminuíram o risco de morrer à metade, num período de 7 a 8 anos.

Cerca de 14.000 pacientes submetidos a cirurgia bariátrica foram seguidos por pouco mais que 7 anos e tiveram sua evolução comparada a um grupo controle composto de outros 30.000 pacientes não operados.  Nesse período ocorreram cerca de 3.300 sendo 2,8% dos pacientes que se submeteram a cirurgia bariátrica e 9,7% dos pacientes similares não operados. Isso se traduziu numa redução de 45% na probabilidade de morrer quando a obesidade mórbida é tratada através da cirurgia bariátrica.

Quando se comparou o tipo de operação, pacientes submetidos à bandagem gástrica ajustável tiveram o risco de morte por doença cardiovascular diminuído em 29%, enquanto o risco daqueles submetidos à derivação gástrica em Y de Roux caiu em 52%.

A pesquisa foi publicada na revista Annals of Surgery em janeiro de 2011.



Escrito por Dr. Libanori às 11h41
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Obesidade pode dobrar os casos de câncer até 2050, segundo relato em conferência da Association for the Study of Obesity em Londres

 
 
Obesidade pode dobrar os casos de câncer até 2050, segundo relato em conferência da Association for the Study of Obesity em Londres

O professor Martin Wiseman, conselheiro de ciências e medicina do World Cancer Research Fund International, anunciou em conferência organizada pela Association for the Study of Obesity (ASO) e pelo World Cancer Research Fund International (WCRF International) em Londres que, se a obesidade continuar a aumentar, pode haver o dobro de britânicos com câncer nos próximos 40 anos.


Segundo Martin Wiseman, a projeção é de que um terço das mulheres e metade dos homens britânicos sejam obesos daqui a 40 anos e esta é a principal razão para se esperar uma duplicação dos casos de câncer. Depois de “não fumar”, manter um peso corporal saudável é a coisa mais importante que pode ser feita para prevenir a doença.

O professor John Wilding, chairman da ASO, diz que a conferência tem o objetivo de reunir especialistas em câncer e obesidade para uma troca de conhecimentos entre eles. O foco principal é estudar evidências que mostram relação entre estilo de vida e câncer, entre calorias ingeridas e risco de câncer, além de saber como as atividades físicas auxiliam na redução dos tumores e como a obesidade aumenta o risco de desenvolver esta doença.

O excesso de gordura corporal pode ser causa de seis tipos diferentes de câncer, entre eles os tumores de mama, rins, útero e pâncreas. Um índice de massa corporal (IMC) entre 20 e 25 é considerado saudável, entre 25 e 30, sobrepeso. Acima de 30 é considerado obesidade. Mesmo as pessoas com peso saudável que são mais pesadas apresentam um risco maior de desenvolver alguns tipos de câncer. Mulheres têm um risco 7% mais alto de ter câncer de mama se o seu IMC é próximo de 25 ao invés de 20.

Pesquisas mostram que poucas pessoas sabem que existe uma relação positiva entre perder peso e evitar câncer. As estimativas mostram que atualmente mais de 13 mil casos de câncer entre os britânicos podem ser evitados a cada ano se as pessoas mantiverem um peso corporal saudável.

Fonte: Association for the Study of Obesity

news.med.br  >  Medical Journal



Escrito por Dr. Libanori às 20h06
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Parar de fumar induz pessoas próximas tomarem a mesma decisão

Pesquisadores da Universidade Harvard, que acompanharam mais de 12 mil pessoas por 32 anos, viram que os fumantes abandonam o cigarro em grupos



Fonte: Folha de São Paulo - 10/08/2008

Costuma começar cedo. Para parecer mais velho, fazer tipo ou agradar aos amigos, o adolescente dribla aquele gosto de cinzeiro e disfarça os acessos de tosse até que ganha intimidade com o cigarro e passa a se sentir parte da turma. Com o tempo, a nicotina age, a dependência se instala e ele pode nem se lembrar de como tudo começou. Mas uma volta ao passado provavelmente vai mostrar que as primeiras tragadas foram dadas por influência alheia.
Pois um novo estudo mostra que o mesmo raciocínio vale para parar de fumar: quando alguém abandona o vício, acaba contagiando outros fumantes em volta a largarem o cigarro. Publicado no "New England Journal of Medicine", o levantamento acompanhou, por 32 anos, 12.067 pessoas, que tinham vínculos -familiares, profissionais ou de amizade. Os pesquisadores, das universidades Harvard e da Califórnia, constataram que as pessoas abandonam o vício em grupos.
Os laços mais fortes detectados foram os de marido e mulher: no caso de cônjuges, o fato de um deles parar diminui em 67% a chance de o outro continuar fumando. Entre dois amigos, a redução é de 43%. Entre irmãos, a influência é menor: 25%. Já entre colegas de trabalho, o que o estudo mostrou é que depende do tamanho da empresa: nas pequenas, o fato de um funcionário parar reduz em 34% a chance de o outro continuar fumando. Nas maiores, não houve essa associação.
"O trabalho mostra que as decisões de parar de fumar não são tomadas só por indivíduos, mas por grupos inteiros", disse à Folha Nicholas Christakis, um dos autores do estudo.
Segundo o pesquisador, a influência se dá de forma direta e indireta, entre pessoas que se conhecem e não se conhecem. No primeiro caso, é fácil perceber como isso acontece: uma pessoa pára de fumar e outro fumante próximo a ela se sente inspirado a parar também.
"Chamamos de fenômeno da segunda onda. Quando a gente joga uma pedra na água, gera várias ondas e acerta uma superfície muito maior. Da mesma forma, quando se cria um ex-fumante, os outros percebem que ele conquistou algo novo e se estimulam a seguir o mesmo caminho", compara o pneumologista Sérgio Ricardo Santos, coordenador do PrevFumo (Núcleo de Apoio à Prevenção e Cessação do Tabagismo), da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Segundo Santos, quanto mais próximo for o ex-fumante, maior costuma ser essa influência. "Dentro do núcleo familiar, é altíssima. Os pais estimulam muito os filhos e vice-versa. A relação entre marido e mulher é a mais forte", diz.
A auxiliar administrativa Priscila Bezerra, 24, e o gerente de contas Gustavo Sachi, 27, ainda são namorados, mas o exemplo dele foi decisivo para que ela abandonasse o cigarro. Quando eles se conheceram, os dois fumavam. Há dois anos, Gustavo decidiu parar "de um dia para o outro". "Não traz benefício nenhum. O cheiro é ruim, você gasta dinheiro e faz mal para a saúde", justifica.
Depois que ele conseguiu, Priscila conta que o namorado, sutilmente, mandava recados. "Ele não chegou a falar para eu parar, mas me ajudou a cortar. Passou a reclamar do cheiro, do gosto, de quando eu ia comprar cigarro. Eu não podia mais fumar no carro dele. Tomei aversão ao cheiro e parei", diz ela.
Hoje, os dois comemoram. "Sinto mais o cheiro e o gosto da comida, meu condicionamento para os esportes aumentou", diz Gustavo. Segundo Priscila, além de ser bom para ela, parar ajudou no relacionamento. "Melhorou a sintonia entre nós dois."

Sociedade não-fumante
A pesquisa também mostrou o impacto indireto que uma pessoa que pára de fumar exerce sobre o grupo social de fumantes, mesmo que esses indivíduos não se conheçam. É como um efeito dominó: quanto mais gente abandona o vício, mais a sociedade vai se tornando hostil ao tabagismo, e isso desfavorece o hábito de fumar.
Para Tânia Cavalcante, chefe da divisão de controle de tabagismo do Inca (Instituto Nacional de Câncer), o tabagismo é uma doença "transmissível socialmente". "Numa sociedade em que todos fumam, a tendência é que esse comportamento cresça, ainda mais sendo uma dependência. O mesmo vale para o inverso."
Segundo Sérgio Santos, o estudo de Harvard é o maior já feito e introduz um conceito novo: o da contagiosidade de parar de fumar. "Com a maior educação sobre o risco de fumar, diminui o número de fumantes, e cria-se um ambiente favorável a parar. É uma tendência em vários países. O fumante se sente acuado."
Ao analisarem as relações nos círculos familiares e de amizades, os pesquisadores detectaram essa marginalização do fumante. O estudo mostra que, de 1971, início do levantamento, até 2000, último ano avaliado, eles foram se tornando mais periféricos nas redes sociais.
Para o pneumologista pediátrico João Paulo Lotufo, responsável pelo Projeto Antitabágico do Hospital Universitário da USP (Universidade de São Paulo), a aprovação de leis antifumo em ambientes fechados em vários países contribui para desencorajar o tabagismo. "Mudou o enfoque por causa do tabagismo passivo. Se eu não fumo, estar perto de um fumante é ruim para mim. Não-fumantes que moram com fumantes têm 25% a mais de chance de terem infarto e câncer de pulmão", exemplifica.
A secretária Lindaci Maria Soares, 48, conta que esse foi um dos motivos pelos quais ela resolveu parar, após quase 40 anos fumando. "Mesmo quem fumava há muitos anos está parando. Quase não há ambiente para o fumante. Só se pode ir a áreas abertas e, mesmo assim, as pessoas reclamam."
Outro fator que pesou muito foi ter descoberto uma bronquite crônica. Ela diz que adorava fumar e que era uma "referência" para os outros fumantes. Inclusive para as três filhas, Josiene, 21, Luciene, 26, e Cristiene, 27, que fumam desde a adolescência. "Elas me vêem como exemplo até nesse vício horroroso. Se eu não parar, elas não param", diz. A mãe de Lindaci também fumava.
Agora que ela decidiu parar, as três filhas também se animaram. A do meio, Luciene Soares Luiz, fumante desde os 12, acompanha a mãe ao programa especializado que ela freqüenta. "Só fui [ao programa] porque ela estava indo. Perdi minha avó para o cigarro e fiquei assustada quando vi que minha mãe está doente", conta.

Tratamento
Para Jônatas Reichert, presidente da comissão de tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia, outro fator que contribui para que parar de fumar se torne contagioso é o avanço nos tratamentos. "Antes, as pessoas não passavam muito a experiência para as outras porque, ao tentarem e falharem, sentiam-se impotentes. Hoje, com mais possibilidades de tratamento, aumentou o índice de sucesso e elas têm mais contato com casos bem-sucedidos", diz.
Segundo Reichert, apenas 5% das pessoas conseguem abandonar o vício sozinhas. Ao sentir falta de ar e outros efeitos de 35 anos de dependência do cigarro, a consultora de treinamento Leila Cinelli Silveira, 56, decidiu procurar auxílio. Recebeu a indicação de adesivos de reposição de nicotina. Inspiradas no seu exemplo, a filha, a cunhada e a irmã também resolveram parar. "Até senti uma responsabilidade maior para não ter recaídas, pois sei que tenho três pessoas atrás de mim. Foi um incentivo", diz.
Entre as estratégias inventadas por ela para driblar a abstinência, estava um "kit de sobrevivência" com cenouras, pepinos e ervas-doces cortados no tamanho de cigarros. Ela também guardou os R$ 3 diários que economizava deixando de comprar cigarros. "No fim do mês, comprei uma calça para me recompensar."
Leila diz que se sente vitoriosa. "O fôlego é outro, a diferença na voz é incrível, a pele muda, os dentes ficam brancos, lisinhos. Achava que nunca iria conseguir, mas estou muito alegre comigo."



Escrito por Dr. Libanori às 10h45
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Confira a atualização dos guidelines do Colégio Americano de Medicina Esportiva e da Associação Americana do Coração sobre as recomendações de exercícios físicos para adultos e idosos
Confira a atualização dos guidelines do Colégio Americano de Medicina Esportiva e da Associação Americana do Coração sobre as recomendações de exercícios físicos para adultos e idosos Copiado de HiDoctor Panel News

Guideline para adultos saudáveis com menos de 65 anos


Recomendações básicas do ACSM e da AHA:


Faça uma atividade física moderada, 30 minutos por dia, durante 5 dias na semana

OU

Faça uma atividade física intensa, 20 minutos por dia, durante 3 dias na semana

E

Faça oito a dez exercícios de força muscular, com 8 a 12 repetições de cada exercício, 2 vezes na semana.


Atividade física de intensidade moderada significa um trabalho físico que gere aumento da frequência cardíaca, não impossibilitando a capacidade de manter uma conversação durante a atividade.


Deve ficar claro que para perder peso ou manter o peso perdido com uma dieta, 60 a 90 minutos de atividade física podem ser necessários. As recomendações de 30 minutos de atividade física ao dia são para adultos saudáveis manterem sua condição de saúde e reduzirem o risco de desenvolver uma doença crônica.



Dicas para seguir o guideline


Com as exigências da rotina de trabalho, as obrigações familiares e os embalos dos finais de semana, pode ser difícil realizar as atividades físicas recomendadas. Use essas dicas para incorporar os exercícios físicos ao seu dia-a-dia:


  • Faça os exercícios em períodos curtos de tempo. Pesquisas mostram que uma atividade física de intensidade moderada pode ser acumulada ao longo do dia em períodos de 10 minutos, o que pode ser tão efetivo quanto se exercitar durante 30 minutos ininterruptos. Isto pode ser útil para encaixar atividades físicas em uma agenda apertada.

  • Combine atividades físicas de intensidades moderada e intensa. Por exemplo, você pode caminhar por 30 minutos 2 vezes por semana e correr em dois outros dias.

  • Faça a sua programação. Pode ser mais fácil colocar na sua agenda uma caminhada no horário do almoço ou talvez no final do dia. O segredo é programar dias e horários específicos para suas atividades físicas, fazendo delas um compromisso no seu dia-a-dia.

  • Academias de ginástica não são uma necessidade. Não é necessário fazer parte de uma academia de ginástica para realizar as atividades recomendadas. Um par de tênis que proporcione conforto e um pouco de motivação é tudo o que você precisa para uma vida mais ativa e saudável.

  • Transforme as atividades físicas em um “negócio de família”. Leve um amigo, um companheiro ou seu filho para fazer exercício junto com você, para que este período torne-se mais agradável na sua rotina. Esta também é uma boa oportunidade para estimular seu filho a realizar uma atividade física e conscientizá-lo, logo cedo, da importância de um estilo de vida saudável.


Iniciando um programa de atividades físicas


Começar uma programação de exercícios físicos pode parecer difícil, mas lembre-se que seu principal objetivo é melhorar a sua saúde aproximando-se das recomendações básicas, ou seja, 30 minutos de atividade física de intensidade moderada por pelo menos 5 dias na semana, ou 20 minutos de atividade física intensa por pelo menos 3 dias na semana e exercícios físicos de força muscular pelo menos 2 vezes na semana.


Escolha atividades que você goste, como caminhada, corrida, natação, ciclismo, prática de diversos esportes ou, se você precisa de várias atividades diferentes para se sentir estimulado, varie sua programação para não cansar do que está fazendo e manter o interesse.

Fonte: American College of Sports Medicine (ACSM) e American Heart Association (AHA)



Escrito por Dr. Libanori às 10h02
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Chocolate amargo reduz pressão arterial
Chocolate amargo reduz pressão arterial Copiado de HiDoctor Panel News

Artigo publicado no The Journal of the American Medical Association (JAMA), realizado por pesquisadores da Universidade de Colônia, na Alemanha, relata que a ingestão de 6,3 gramas diários de chocolate amargo rico em polifenóis (correspondente a 30 calorias) auxilia na redução da pressão arterial.


O estudo duplo-cego, randomizado e controlado envolvendo 44 adultos (24 mulheres e 20 homens), com idade entre 56 e 73 anos, portadores de hipertensão leve e acompanhados durante dezoito semanas, avaliou os efeitos da ingestão de chocolate amargo rico em polifenóis. Os participantes registraram, ao término da pesquisa, uma queda média de 2,9 mmHg na pressão sistólica e de 1,9 mmHg na pressão diastólica. Com essa redução, aparentemente modesta, a prevalência de hipertensão baixou de 86% para 68% entre os participantes.


O chocolate amargo é rico em polifenóis, flavonóides, epicatequina e ácido gálico - antioxidantes que ajudam a proteger os vasos sangüíneos, prevenir o câncer e promover a saúde do coração. Os mesmos benefícios não foram encontrados no chocolate ao leite e no chocolate branco.


É bom lembrar que apesar do consumo regular de alimentos com cacau estar associado a um baixo risco de mortalidade por eventos cardiovasculares em estudos observacioanais, o consumo de chocolate deve ser moderado, pois é um alimento rico em calorias e tem grandes quantidades de gordura saturada.


Fonte: The Journal of the American Medical Association



Escrito por Dr. Libanori às 22h14
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O aumento no consumo de duas xícaras de café por dia pode reduzir em 43% o risco de câncer de fígado
O aumento no consumo de duas xícaras de café por dia pode reduzir em 43% o risco de câncer de fígado Copiado de HiDoctor Panel News

Evidências indicam que o consumo de café pode proteger contra doenças hepáticas e reduzir o risco de câncer de fígado. Um aumento de consumo de 2 xícaras de café por dia foi associado a uma redução de 43% no risco de câncer de fígado, tanto para aqueles com história de doença hepática, quanto para aqueles que não têm história da doença.

Uma meta-análise, publicada no jornal médico Gastroenterology, envolveu 11 estudos científicos relacionando o consumo de café e o risco de câncer de fígado (com a participação de 2260 pacientes com câncer de fígado e 239.146 indivíduos sem câncer de fígado). A meta-análise foi realizada com estudos selecionados no MEDLINE de 1966 a fevereiro de 2007, todos eles mostrando uma relação inversa entre o consumo de café e o risco de câncer de fígado. Em 6 destes estudos, essa associação inversa era estatisticamente significativa.

Os mecanismos envolvidos e as substâncias presentes no café responsáveis por estes benefícios ainda não estão esclarecidos. O café contém substâncias anti-oxidantes como os ácidos clorogênicos, que modulam o humor, combatem o estresse oxidativo e inibem a formação de carcinógenos.

Dados a respeito dos efeitos benéficos do café sobre a função hepática aumentaram nas últimas duas décadas. Vários trabalhos mostram uma associação inversa entre o consumo de café e os níveis de enzimas hepáticas, como a gama-glutamil transferase (enzima hepática, que é um marcador sensível de doença hepatobiliar, mas pouco específico) e a alanina aminotransferase (enzima hepática que mostra uma maior especificidade para lesão hepática), assim como o risco para doença crônica do fígado e cirrose hepática.

Estudos com animais também mostraram um efeito inibidor do café sobre a carcinogênese (formação de câncer) hepática. Também existem evidências de que o consumo de café reduziria o risco de câncer de fígado primário e de carcinoma hepatocelular.

Fonte: Gastroenterology



Escrito por Dr. Libanori às 12h05
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Obesidade...tem solução?

 

Em continuidade ao artigo publicado no dia 07/04/07, vamos analisar algumas medidas possíveis para se combater a epidemia de obesidade.

Como havíamos relatado, a associação de predisposição genética para obesidade a ambiente tóxico, ou seja, aquele que une hiperalimentação a sedentarismo, é explosiva. Por enquanto, não temos como alterar a genética das pessoas. A única saída por enquanto será agir sobre o ambiente, visando promoção de alterações comportamentais onde se associe alimentação de melhor qualidade a aumento da atividade física.

Observamos nas últimas décadas redução no número de fumantes na população. Isso se deveu principalmente a medidas restritivas e educativas. A partir da compreensão dos efeitos maléficos do hábito de fumar e do seu impacto na saúde pública, essas medidas se justificaram. Campanhas educativas foram lançadas na mídia, áreas de fumantes foram criadas e aos poucos ficaram cada vez mais restritas. A propaganda foi sendo progressivamente proibida. Os impostos aumentaram e alertas sobre os efeitos do tabagismo foram estampados nas embalagens de cigarros. Aos poucos, um hábito considerado elegante e recheado do glamour “hollywoodiano” passou a ser considerado inconveniente e anti-social. Ainda hoje, o tabagismo é a principal causa evitável de morte. A segunda, correndo bem próximo, é a obesidade.

Já passamos pela primeira fase e reconhecemos que gordura não é sinal de saúde. Mais que isso, já sabemos que a obesidade está no centro de inúmeras outras doenças, praticamente em todas as especialidades médicas, da psiquiatria à ortopedia, passando pela cardiologia, pneumologia e gastroenterologia. Já pudemos também correlacionar a epidemia de obesidade às mudanças de estilo de vida já comentadas. Até o custo ao sistema de saúde já foi contabilizado. Assim, por que não aplicar a mesma política utilizada contra o tabagismo no controle da obesidade?

Na verdade, essa será a solução e algumas medidas já estão sendo propostas. Um projeto de lei nos Estados Unidos foi apelidado de “imposto do cheeseburguer”, por sobretaxar o “fast-food”. No mesmo país um amplo debate vem sendo travado em torno da merenda escolar, onde crianças diariamente almoçam batatas fritas e refrigerantes.

Não vemos mais propaganda de cigarro na TV, mas os biscoitos vitaminados e outras guloseimas estão em horário nobre. Será que aquelas mulheres magras e lindas das propagandas de cerveja realmente bebem daquela forma? Podemos traçar um paralelo com as propagandas que apresentavam esportistas, cercados de mulheres, acendendo um cigarro. A fórmula é a mesma.

Talvez, no futuro, encontremos nas barras de chocolate ou pacotes de batatas fritas os dizeres: “O consumo excessivo deste produto está ligado à obesidade, que pode causar hipertensão arterial e diabetes mellitus entre outras doenças, levando a morte prematura”.

As medidas educativas devem passar pelas escolas e envolver os pais. Afinal, a obesidade infantil também está crescendo e garantirá o aumento geral da obesidade nas próximas décadas. O mesmo se pode dizer de grandes empresas, onde medidas preventivas terão como retorno diminuição nos gastos com saúde e do absenteísmo.

Talvez, em algum momento, assim como fumar em público passou a “pegar mal”, o mesmo ocorra com o consumo de doces e gordurosos.

Com a diminuição da atividade física não programada (caminhar, subir escada, etc.), nosso gasto energético diminuiu. Também aqueles que passam muitas horas sem se alimentar apresentam uma diminuição adicional desse gasto, à custa da queda do metabolismo basal. Por incrível que pareça, boa parte dos obesos pula refeições sem saber que isso só dificulta ainda mais a perda de peso. Como reverter esse processo? Algumas medidas colaboram para o aumento do metabolismo basal e devem ser adotadas:

  • Fracionar a alimentação não deixando de se alimentar a cada 3 horas durante o dia.
  • Presença de carboidratos complexos na base da alimentação, tendo como fonte pães e massas (preferencialmente integrais), cereais e tubérculos.
  • Baixa ingestão de gorduras principalmente saturadas.
  • Manter boa hidratação.
  • Atividade física freqüente, no mínimo 30 minutos 5 vezes por semana.

É interessante que os benefícios à saúde da atividade física pouco dependem da duração de cada sessão. Os 30 minutos diários podem ser fracionados em 2 sessões de 15 minutos ou mesmo 3 de 10 minutos. A atividade física leve e moderada também são benéficas; não é necessário “se matar” em atividades extenuantes e pouco prazerosas.

Aqueles que argumentam que é impossível inserir atividade física e alimentação saudável em sua rotina, na verdade não estão priorizando a saúde e o bem estar. Portanto, é sempre importante investir na conscientização.

Devemos salientar, no entanto, que as medidas acima são preventivas. Pacientes obesos necessitam tratamento multiprofissional especializado. As medidas comportamentais são a base, mas medicações por longo prazo frequentemente são necessárias. A cirurgia, é claro, será aplicada nos casos extremos, onde nada mais parece funcionar.

 

 



Escrito por Dr. Libanori às 19h43
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